sexta-feira, 30 de outubro de 2015

- Curso de Técnicas Miofascais no Tratamento da Dor Crônica Miofascial


-     Programa:

  Fisiologia do tecido conjuntivo/ Fáscia;

  Neurofisiologia da dor;

  Fisiopatologia da dor crônica;

  Fatores desencadeantes e perpetuantes da dor Crônica;

  Trigger Point  - Tender Point;

  Principais patologias (Quadro clínico, avaliação e diagnóstico):

-  Síndrome Dolorosa miofascial / desequilíbrio postural, etc 

  Técnicas Miofasciais (Técnica integrada de inibição neuromuscular/ Técnica de Jones, Manipulação miofascial, Técnica de Energia Muscular);

  Anatomia e cinesiologia dos músculos a serem abordados durante o curso;

  Abordagem do Ponto Gatilho por associação de manipulação e cinesioterapia passiva.

 

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Fisioterapia na Saúde da Criança - Manejo Respiratório em Crianças - Uma Revisão Bibliográfica

Olá Pessoal!!! Depois de tanto tempo distante do Blog, enfim, estou de volta! Sim, muito trabalho, pouco tempo, etc e tal... Mas, sempre recebo mensagens de agradecimento pelo material de postagem do Blog. Por isso, e por saber que de alguma forma posso ajudar outras pessoas a distância, continuarei a postar...Ah, com mais distância entre as postagens, porém sem deixar de alimentar o Blog... Então, chega de papo e vamos ao assunto de hoje!!

Introdução

            O manejo respiratório em crianças pequenas se diferencia ao utilizado para adultos em função das características fisiológicas como o pequeno diâmetro das vias respiratórias, a função muscular intercostal e diafragmática imaturas, os poros de ventilação colateral pobremente desenvolvidos, a caixa torácica mais complacente, a incoordenação toracoabdominal durante o sono REM, os pulmões com menos elastina e colágeno e o sistema imunológico em desenvolvimento. Neste capítulo será enfatizados os principais aspectos da avaliação para identificar problemas que requerem intervenção fisioterápica em pediatria.

Queixa principal
            
É a causa que levou o paciente a procurar o tratamento e pode ser um facilitador dos questionamentos na anamnese. A queixa principal deve ser registrada da maneira como o paciente ou responsável informou seguido da abreviação SIC (segundo informações colhidas).

História da moléstia atual (HMA)

            É a descrição dos fatos que permeiam a queixa principal. Deve-se tentar obter informações sobre sinais e sintomas, duração e frequência das crises, fatores de melhora e piora, tratamento realizado, assim, pode-se identificar os fatores de risco para a doença e as orientações que serão dadas aos responsáveis.

História da moléstia pregressa
            Questiona-se a respeito de todas as doenças e internações que a criança já teve para podermos correlacionar afecções previas com as comorbidades atuais.

História da gestação

            Os questionamentos são em busca de doenças que a mãe tenha desenvolvido durante a gestação, como diabetes gestacional e DHEG, que podem favorecer parto prematuro ou desenvolvimento inadequado do feto. Questionar se foi realizado acompanhamento pré-natal adequado que evitaria complicações na gestação. É necessário ainda questionar o período gestacional que pode trazer informações sobre o desenvolvimento do feto.

História do parto

            Deve-se questionar quanto à duração do trabalho de parto, longos períodos podem acarretar sofrimento fetal; tipos de parto - cesárias favorecem doença pulmonar; intercorrências no momento ou logo após o nascimento; utilização de fórceps e lesões perinatais.
            O peso ao nascimento e a idade gestacional identificarão se o tamanho está adequado para a idade. Os recém-nascidos são caracterizados como:
·         PIG (pequenos para a idade gestacional) - abaixo do peso ideal para a idade.
·         GIG (grandes para a idade gestacional) - grandes para a idade gestacional.
·         AIG (adequados para a idade gestacional) - recém-nascidos que cresceram de maneira adequada.
Deve-se questionar ainda se houve necessidade de reanimação, internação na terapia intensiva, uso de ventilação mecânica e/ou de oxigênio após o parto.

Condições de moradia

            Deve-se investigar o ambiente em que a criança vive, o numero de cômodos da casa e pessoas, saneamento básico e se a rua é de terra, pois as condições de moradia podem favorecer doenças ocupacionais ou do sistema gastrintestinal.

Antecedentes familiares

            Deve-se pesquisar quanto às doenças genéticas ou adquiridas na família, relação familiar e social, utilização de drogas lícitas ou ilícitas.

Inspeção

            Observação do tipo de tórax, padrão, frequência e ritmo respiratório, expansibilidade torácica e sinais de desconforto respiratório.

Tipos de tórax

            Para observar o tipo de tórax a criança deve estar sentada com tórax desnudo.
·        Tórax em tonel – aumento do diâmetro anteroposterior e horizontalização das costelas.
·        Tórax cariniforme – esterno proeminente.
·        Tórax infundibuliforme – depressão do terço inferior do esterno.
·        Tórax em sino – alargamento acentuado da região inferior do tórax.
·        Tórax cifoescolótico – alteração cifótica acompanhada da escoliose.
Deve-se também avaliar a existência de abaulamentos e depressões torácicas.


Padrão respiratório

            Na avaliação a criança deve estar sentada ou em decúbito dorsal com o tórax desnudo. Observa-se o tórax e abdome para identificar onde o movimento é mais amplo.      Existem três padrões respiratórios, são eles:
·        Padrão abdominal - é o padrão normal dos recém-nascidos e lactentes.
·        Padrão apical - cujo movimento dominante é na parte superior do tórax.
·        Padrão misto – no qual o movimento torácico e abdominal é simultâneo.

Frequência respiratória

            O valor de normalidade varia de acordo com a idade da criança:
·        Lactentes pré-termo: 40 – 60 irpm (inspirações por minuto)
·        Lactentes a termo: 30 – 40 irpm
·        1 a 4 anos: 25 – 30 irpm
·        Adolescentes: 15 – 20 irpm

Tipos de frequência:
·        Eupneia – valor normal da frequência respiratória.
·        Bradipneia – diminuição da frequência respiratória.
·        Taquipneia – aumento da frequência respiratória.
·        Apneia – parada respiratória por mais de 20 segundos com repercussão clínica.

Ritmo respiratório

            Os recém-nascidos e lactentes apresentam ritmo irregular, com pausas respiratórias que são consideradas fisiológicas, assim, deve-se analisar a sequência, a forma e a amplitude das incursões respiratórias e qualquer alteração. Entretanto, bebês com Apgar baixo nos primeiros minutos de vida pode desenvolver ritmo patológico. São eles:
·        Cheyne-Stokes – incursões respiratórias profundas, atingido amplitude máxima, seguida de apneia.
·        Biot – respiração anárquica com períodos de apneia.
·        Kussmaul – respiração rápida com grande amplitude e ruidosa.

Expansibilidade torácica

            Verifca-se se a incursão torácica é simétrica e se tem boa amplitude avaliando dos ápices até as bases pulmonares. Pode ser classificada em: preservada, assimétrica ou diminuída, a diminuição pode ser uni ou bilateral.

Sinais de desconforto respiratório
            
O desconforto respiratório é caracterizado pela execução em excesso da função do músculo respiratório. Os principais sinais são:
·        Batimento da asa do nariz – para diminuir a resistência das vias respiratórias há dilatação das narinas.
·        Tiragem intercostal – contração exagerada dos intercostais observada por uma depressão entre as costelas na fase inspiratória.
·        Tiragem subdiafragmática – contração exagerada do diafragma constatada pelo abaulamento abaixo das ultimas costelas.
·        Retração torácica – ocorre em razão da pressão negativa gerada durante a inspiração na caixa torácica.
·        Utilização de musculatura acessória – contração exagerada do músculo esternocleidomastóide durante a inspiração.
·        Respiração paradoxal – há inversão do movimento do tórax e do abdome durante a respiração. Na fase inspiratória ocorre a depressão do tórax.
Qualquer tipo de desconforto respiratório é patológico e o paciente pode apresentar um ou mais tipos simultaneamente.

Palpação

            Durante a palpação o paciente deve estar com o tórax desnudo e a palpação deve ser feita nas regiões anterior, posterior e lateral do tórax. Pode-se avaliar enfisema subcutâneo, sensibilidade, retrações, edemas, hematomas e expansibilidade torácica. Ao longo do exame deve-se verificar se a criança apresenta fase ou relata dor.

Percussão

            Técnica que avalia a propagação de ondas sonoras pela caixa torácica. A percussão ressonante pode ser chamada de som claro pulmonar, quando a percussão gera hipersonoridade pulmonar é sinal de excesso de ar no pulmão e, quando houver diminuição ou ausência, terá diminuição ou inexistência na sonoridade pulmonar chamada de submacicez e macicez respectivamente. O som timpânico indica aprisionamento de ar no espaço plural.
Ausculta pulmonar

            A ausculta pulmonar consiste em todo som emitido pelo aparelho respiratório intra ou extratorácico, captado por meio do estetoscópio.
            Os sons produzidos por um paciente sadio denominam-se murmúrio vesicular. Os ruídos anormais conhecidos como adventícios relevam anormalidade de base pulmonar, podem ser: contínuos sendo representados por roncos e sibilos ou descontínuos que são representados por creptações grossas e finas.

Sinais vitais
            Evidenciam o funcionamento e as alterações das funções corporais. Nesta avaliação destacam-se frequência respiratória e cardíaca e pressão arterial, segue abaixo os valores normais:
Idade
Frequência respiratória
Frequência cardíaca
Pressão arterial
Lactentes pré-termo
40-60 irpm
120-140 bpm
70x40 mmhg
Lactentes a termo
30-40 irpm
100-140 bpm
80x40 mmhg
1 a 4 anos
25-30 irpm
80-120 bpm
100x65 mmhg
Adolescentes
15-20 irpm
60-80 bpm
100x60 mmhg

Função pulmonar

            O teste mais utilizado ultimamente é a espirometria que avalia a função pulmonar através da manobra da expiração forçada. A curva volume-tempo e fluxo-volume são usadas para determinação de volumes e fluxos por meio de espirômetro.
            Testes mais complexos como medida da capacidade pulmonar total, capacidade residual funcional, volume residual, podem ser avaliados por meio da técnica de diluição de gases. Medidas como complacência e resistência podem ser avaliadas como complemento do estudo da função pulmonar.
            A dificuldade em obter cooperação da criança é, muitas vezes, fator limitante para realização e interpretação dos testes. Crianças acima de 5 anos geralmente se mostram cooperativas com a técnica de espirometria. É necessário o treinamento da equipe do laboratório de função e dos pacientes antes de submetê-los aos testes.

Considerações finais

            Para a avaliação do paciente pediátrico, devem ser levadas em consideração as particularidades do seu sistema respiratório. As estratégias adotadas para o tratamento do paciente pediátrico serão determinadas pela avaliação precisa do sistema respiratório associado à história, assim como de uma avaliação de todos os sistemas para melhor definição do tratamento a ser realizado.

 - Trabalho realizado na disciplina de Fisioterapia da Saúde da Criança - Centro Universitário Celso Lisboa
- Aluna:Jéssica Cristiny Martins.
- Supervisão: Professor Alexandre Silva de Souza 

Referência Bibliográfica
Cordoba Lanza, Fernanda; Palazzin, Alessandra; Rodrigues Gazzotti, Mariana - Fisioterapia em Pediatria e Neonatologia - da UTI ao ambulatório, São Paulo: Roca, 2012.


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

" O SEU CORPO - ESSA CASA ONDE VOCÊ MORA "

- Olá galera! Muito tempo sem postagem, é verdade! Muito trabalho (graças a Deus) e pouco tempo para alimentar o Blog. Mas, ele não esta esquecido e por isso mesmo hoje irei publicar! Vamos nessa! O texto abaixo é de uma autora que me ajudou muito a entender a nossa relação com o corpo. Vamos a leitura!

Neste instante, esteja você onde estiver, há uma casa com o seu nome.Você é o único proprietário, mas faz tempo que perdeu as chaves. Por isso, fica de fora, só vendo a fachada. Não chega a morar nela. Essa casa, teto que abriga suas mais recônditas e reprimidas lembranças, é o seu corpo.
"Se as paredes ouvissem...". Na casa que é o seu corpo, elas ouvem. As paredes que tudo ouviram e nada esqueceram são os músculos. Na rigidez, crispação, fraqueza e dores dos músculos das costas, pescoço, diafragma, coração e também do rosto e do sexo, está escrita toda a sua história, do nascimento até hoje.
Sem perceber, desde os primeiros meses de vida, você reagiu a pressões familiares, sociais e morais. "Ande assim! Não se mexa! Tire a mão daí! Fique quieto! Faça alguma coisa! Vá depressa! Onde você vai com tanta pressa...?" Atrapalhado, você dobrou-se como pôde. Para conformar-se, você se deformou. Seu corpo de verdade - harmonioso, dinâmico e feliz por natureza - foi sendo substituído por um corpo estranho que você aceita com dificuldade, que no fundo você rejeita.
É a vida, diz você; não há outa saída. Respondo-lhe que você pode fazer algo para mudar e que só você pode fazer isso. Não é tarde demais. Nunca é tarde demais. Nunca é tarde demais para liberar-se da programação de seu passado, para assumir o próprio corpo, para descobrir possibilidades até então inéditas.
Ser é nascer continuamente. Mas quantos deixam-se morrer pouco a pouco, enquanto vão se integrando perfeitamente às estruturas da vida contemporânea, até perderem a vida, pois que se perdem de vista?
Saúde, bem-estar, segurança, prazeres, deixamos tudo a cargo dos médicos, psiquiatras, arquitetos, políticos, patrões, maridos, mulheres, amantes, filhos,... Confiamos a responsabilidade de nossa vida, de nosso corpo, aos outros, por vezes aqueles que não desejam essa responsabilidade e que se sentem esmagados por ela; quase sempre aqueles que pertencem a Instituições cuja primeira finalidade é a de nos tranquilizar e, portanto, de nos reprimir, (e quantos há, independentemente de idade, cujo corpo ainda pertence aos pais? Crianças submissas, esperando em vão, durante toda a vida, licença para vivê-la. Menores de idade psicologicamente, não ousam nem olhar a vida dos outros, o que não os impede, porém, de tornarem-se impiedosos censores).
Quando renunciamos a autonomia, abdicamos de nossa soberania individual. Passamos a pertencer aos poderes, aos seres que nos recuperaram. Se reivindicamos tanto a liberdade é porque nos sentimos escravos; e os mais lúcidos reconhecem ser escravos-cúmplices, Mas como poderia ser de outro jeito, se não chegamos a ser donos nem de nossa primeira casa que é o corpo?
Você pode, no entanto, reencontrar as chaves do seu corpo, tomar posse dele, habitá-lo enfim e nele encontrar a vitalidade, saúde e autonomia que lhe são próprias.
Nosso corpo somos nós!
Em qualquer idade, você pode livrar-se das pressões que cercaram sua vida interior e seu comportamento corporal, conseguindo perceber o ser belo, bem feito, autêntico, que você deve ser.

Texto extraído do livro "O Corpo Tem Suas Razões" de Thérese Bertherat.


segunda-feira, 2 de junho de 2014

Heróis Nacionais - Jogadores ou Professores?

Vendo a TV nos últimos dias ouvi muito a expressão “heróis nacionais” e sua referência, que infelizmente, era aos “notáveis jogadores” da seleção brasileira de futebol. No mesmo momento que professores protestavam em frente ao hotel onde estavam hospedados os jogadores, digo, os heróis nacionais, a mídia fazia uma cobertura da saída do ônibus do hotel e todo aparato e segurança despendidos para sua passagem. Há, sim, os professores estavam lá! E assim foi percebido por todos que assistiam... Os heróis nacionais não eram os professores! Não pela mídia, e hoje também por grande parte da sociedade! O Governo vem trabalhando a bastante tempo para alcançar este objetivo. Mudar a cabeça das pessoas que aqui vivem, sua forma de julgar e protestar, sua forma de pensar. E claro, que a única forma disso acontecer era minando pouco a pouco a única classe de profissionais que pode mudar o pensar, o julgo, que pode tornar possível a reflexão! Heróis Nacionais são os professores! Os jogadores também apresentam os seus valores, mas isso nada tem a ver com heroísmo! Heroísmo é assumir o compromisso de educar num país que hoje tem números medíocres nos indicadores relacionados a educação! Heroísmo é entrar em uma escola sem recursos e se virar pra levar conhecimento com criatividade e coragem! Heroísmo é trabalhar 40 horas por semana em sala de aula e ainda levar trabalho pra casa (planejamento de aula, provas, pesquisas, etc). Heroísmo é ser professor, é acreditar que você pode mudar este País através da EDUCAÇÃO! A copa começa neste mês de junho, e gostaria muito que a torcida pelo FUTEBOL fosse igual a torcida pela EDUCAÇÃO! Futebol não muda um País, mas sim é usado muitas vezes por governantes como instrumento de manipulação de massa! Não sou contra o esporte, muito pelo contrário! O esporte é um dos instrumentos do educador! Esporte é saúde, é educação, socializa e inclui! Sou contra a desvalorização contínua daqueles que deveriam ser um dos profissionais mais importantes de uma nação, os Professores! Bom, a única pretensão deste texto é mostrar minha tristeza e indignação com essa realidade brasileira. Na verdade, penso que triste é a nação que precisa de heróis!



Até a próxima post!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA NA INCLUSÃO ESCOLAR DE CRIANÇAS COM ECI.


Olá Galera. Mais um ano começando e antes de mais nada quero desejar um feliz 2014 para todos. Um ano próspero e de muito sucesso profissional. Na postagem de hoje vou colocar na íntegra um trabalho orientado por mim em 2013. Minhas saudações a Fisioterapeuta Rejeane Santos da Conceição, minha aluna da Pós de Fisioterapia Pediátrica e Neonatal da UGF (Central de Cursos). O assunto é de fundamental importância a quem, como eu, acompanha o dia a dia de crianças especiais. A Fisioterapia é um instrumento precioso na Inclusão Escolar destas crianças. Vejam o artigo e saibam mais sobre o assunto. Abaixo , antes da leitura um pequeno vídeo que aborda o trabalho do TO e do Fisio na inclusão escolar. Uma boa leitura a todos!
 
 
 



 
A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA NA INCLUSÃO ESCOLAR DE CRIANÇAS COM ENCEFALOPATIA CRÔNCIA DA INFÂNCIA





 

REJEANE SANTOS DA CONCEIÇÃO

ALEXANDRE SILVA DE SOUZA

PEDRO CHAVES RIBEIRO

 

RESUMO

A encefalopatia crônica da infância, mais conhecida como paralisia cerebral é um conjunto de desordens motoras causadas por uma ou mais lesões no sistema nervoso central, podendo esta associada a alterações auditivas, visuais, sensoriais e cognitivas. Trata-se de uma pesquisa de abordagem quantitativa de caráter exploratório onde foi aplicado um questionário estruturado com quatro perguntas fechadas para nove professoras de uma escola regular da rede privada de ensino infantil e fundamental. Este estudo teve como o objetivo demostrar à importância da fisioterapia na inclusão escolar de crianças com encefalopatia crônica da infância, analisando a visão de professores através de questionário estruturado. Conclui-se que os professores não acreditam que a educação inclusiva aconteça dentro da escola onde trabalham e que entendem a necessidade do fisioterapeuta no auxilio de vários itens de adaptação, facilitação e orientação para melhor atender as necessidades da criança com encefalopatia crônica da infância.

 

Palavras-chave: Encefalopatia crônica da infância; Paralisia cerebral; Educação inclusiva; Fisioterapia inclusiva.

 

ABSTRACT

 

Better known as cerebral palsy chronic encephalopathy of childhood is a collection of motor disorders caused by one or more lesions in the central nervous system , which may associated with auditory, visual , sensory and cognitive impairments . This is a survey of quantitative exploratory approach where a structured closed questions with four to nine teachers of a regular private school for kindergarten and elementary questionnaire was applied . This study was aimed to demonstrate the importance of physiotherapy in the inclusion of children with chronic encephalopathy of childhood , analyzing the vision of teachers through a structured questionnaire . It is concluded that teachers do not believe that inclusive education happen inside the school where they work and who understand the need of the physiotherapist in aid of various items of adaptation, facilitation and guidance to better meet the needs of children with chronic encephalopathy of childhood.

 

Keywords: Chronic encephalopathy of childhood; Cerebral Palsy; Inclusive Education; Physiotherapy inclusive.

 



INTRODUÇÃO

 

            Paralisia cerebral foi o terno primeiramente usado em 1943 por William John Little para descrever 47 crianças que apresentavam padrão de espasticidade, e comum histórico da doença pregressa como a prematuridade, sofrimento fetal, demora em chorar e respirar ao nascer, além de convulsões nas primeiras horas de vida. Com o passar dos anos foi adotado o termo encefalopatia crônica da infância por entender que essa condição clinica trata-se de um distúrbio estático, não progressivo que acomete o sistema nervoso central imaturo.1,2,3

A encefalopatia crônica da infância pode ser definida como uma ou várias lesões no cérebro em desenvolvimento que resulta na incoordenação motora e dificuldade em manter posturas, ou seja, alteração e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, algumas vezes associado a déficit visual, alteração da fala e do cognitivo.4

            As lesões que causam tais desordens motoras, sensoriais, perceptivas, cognitivas e comportamentais acontecem no inicio do desenvolvimento do encéfalo, sendo assim as causas podem ser classificadas como pré-natais, como as infecções congênitas, perinatais, como a anoxia neonatal e pós-natais, como infecções e traumas. De todas as causas a anoxia neonatal é um fator que se destaca afetando sete crianças a cada 1.000 nascidas vivas nos países desenvolvidos.1,3

            As alterações, predominantemente motoras, podem dificultar a obtenção de habilidades necessárias à interação educacional e práticas como o manuseio de instrumentos para escrever com impacto no contexto escolar podendo afetar a autoestima e limitar as experiências de interação social da criança com encefalopatia crônica.2

            As dificuldades encontradas pelas crianças portadoras de necessidades especiais causadas por encefalopatia crônica são datadas desde a socialização do homem, onde tais indivíduos foram marginalizados por discriminação e preconceito. Na tentativa de diminuir as mazelas de tal situação, o governo brasileiro adotou um sistema educacional inclusivo ao assinar a Declaração Mundial de Educação Para Todos e a Declaração de Salamanca, resultado da Conferência Mundial sobre Necessidades Educacionais Especiais: Acesso e Qualidade.5

            Uns dos pontos mais importantes da Declaração de Salamanca é a proclamação que diz: aqueles com necessidades educacionais especiais devem ter acesso á escola regular, que devera acomoda-los dentro de uma pedagogia concentrada na criança, capaz de satisfazer tais necessidades, além de garantir programas de treinamento de professores incluindo a provisão de educação especial dentro das escolas regulares. Esses itens afirmam a importância do conhecimento dos professores sobre o diagnóstico e prognóstico da criança com encefalopatia crônica, a fim promover estratégias de estimulação em conjunto com profissionais como psicólogos, fisioterapeutas e fonoaudiólogos.6

Segundo Beyer:7
 

Vigotski afirma que o lugar mais legítimo para todas as crianças, também as com necessidades especiais, é na escola regular. A escola especial correia o risco de perpetuar a cultura de déficit, em que os significados das identidades – individuais e sociais - encontrar-se-iam ou em um estado de acentuada difusidade, ou inadequada a imposição de modelos, valores ou referencias culturais, que não viabilizam ao sujeito sua própria síntese cultural.

 

            O reconhecimento das dificuldades motoras da criança com encefalopatia crônica facilita sua adaptação no contexto escolar. Assim o fisioterapeuta assume um importante papel com objetivo de eliminar barreiras arquitetônicas, estabelecer adaptações do meio, reconhecer os padrões posturais dos alunos, desenvolver instrumentos que facilitem sua atividade escolar, utilizar técnicas e orientações que sejam acessíveis ao professor para auxiliar no processo de aprendizagem das crianças.8

Croker & Kentish apud Silva & Mazzotta afirmam que:4

 
Cabe ao fisioterapeuta identificar as barreiras que a criança enfrenta no ambiente escolar, bem como as expectativas e as exigências para ela poder funcionar nesse ambiente. Cumpre identificar as demandas que a criança enfrenta em relação ao seu enduro, sua mobilidade, força e destreza.

 

            Para Guimarães1, o fisioterapeuta deve seguir seis objetivos comportamentais para complementar a educação inclusiva. São eles:

1-      Reconhecer a importância da fisioterapia como contribuição para a educação;

2-      Ter conhecimento sobre o desenvolvimento sensório-motor na aprendizagem;

3-      Identificar padrões posturais característicos da encefalopatia crônica da infância que influencie nas atividades escolares;

4-      Caracterizar e segmentar tais padrões;

5-      Discriminar e utilizar técnicas e equipamentos acessíveis ao professor;

6-      Desenvolver relações multiprofissionais.

O presente artigo tem o objetivo de demostrar à importância da fisioterapia na inclusão escolar de crianças com encefalopatia crônica da infância, analisando a visão de professores através de questionário estruturado.

 

METODOLOGIA

 
Trata-se de uma pesquisa de abordagem quantitativa de caráter exploratório referente à importância da fisioterapia na inclusão escolar de crianças com encefalopatia crônica da infância, visando entender alguns elementos sob a perspectiva dos professores.

A pesquisa quantitativa exploratória prevê a mensuração de dados numéricos com objetivo de esclarecer e ampliar o conhecimento a respeito da situação estudada.9

Foi aplicado um questionário estruturado com quatro perguntas fechadas para nove professoras de uma escola regular da rede privada de ensino infantil e fundamental. Os participantes da pesquisa são todas do sexo feminino, com idade entre 26 e 45 anos e formação acadêmica em pedagogia.

 
RESULTADOS

 

O questionário aplicado para o grupo de nove professores constou de quatro questões objetivas descritas na seguinte tabela:

 

1.      Para você a escola de ensino regular esta preparada para receber uma criança com paralisia cerebral?
Sim
12%
Não
88%

 

2.      Para você quais são as principais barreiras que dificultam a inclusão escolar de crianças com paralisia cerebral?
Arquitetônica
22%
Cognitiva
22%
Funcional
44%
Outras
12%

 

3.      Quais desses profissionais você considera mais importante, auxiliando o educador na inclusão escolar de crianças com paralisia cerebral?
Fisioterapeuta
56%
Terapeuta ocupacional
22%
Psicólogo
11%
Outros
11%

 

4.      Como você acha que o fisioterapeuta poderia ajudar no contexto escolar de uma criança com paralisia cerebral, caso esse profissional fosse inserido na sua equipe?
Adaptando os moveis
22%
Adaptando a postura da criança para facilitar a realização das atividades
56%
Fazendo relatórios direcionados
22%
Outros
0

 

 

DISCUSSÃO

 

A primeira questão dessa pesquisa abordou a opinião dos professores sobre o preparo da escola para receber crianças com encefalopatia crônica da infância. Entre nove professoras, somente uma afirmou que a escola em que trabalha esta preparada para receber este tipo de aluno.

Um estudo com aplicação de questionário com 22 professores de três escolas de ensino regular observou que no item inclusão, com exceção de uma professora, todos acreditam na educação inclusiva, porem demostram preocupação com as adaptações que devem acontecer na escola e nas mudanças da formação profissional para que o educador saiba lidar com seus alunos nas mais diversas limitações.10

O resultado da segunda questão que abordou o julgamento sobre as barreiras que dificultam a inclusão de crianças com encefalopatia crônica da infância foi bastante dividido. O grupo escolheu entre quatro alternativas, onde 22% das professoras afirmaram que o principal empecilho que dificulta a inclusão é a barreira arquitetônica do ambiente escolar, outros 22% indicaram a barreira cognitiva dos alunos como a maior dificuldade, a maioria das professoras, 44%, relata que a barreira funcional como fator limitante da aprendizagem e apenas 11% afirmou que todas as alternativas dificultam a inserção de crianças com encefalopatia crônica da infância no ambiente escolar.

Silveira e Neves11 abordaram esses fatores limitantes na sua pesquisa com entrevista semiestruturada com 10 professoras de crianças deficientes múltiplas e afirmam que:

 

A inclusão só pode ser possível se for realizada com cautela e em longo prazo, se levar em conta o comprometimento da criança, se não se destinar aos mais comprometidos, se for somente no campo social e se houver um preparo do corpo técnico e do ambiente físico.

 

 

Já para Ehlert8 em seu estudo qualitativo com aplicação de questionário a professores e diretores de cinco escolas da rede municipal ocorre a necessidade da vontade política e esforço por parte dos diretores para captar recursos, ou mesmo para usar os já existentes na eliminação das barreiras arquitetônicas e ainda afirma que muitas das barreiras ambientais podem ser superadas através da criatividade dos próprios educadores com auxilio das famílias.

            Sobre a questão da equipe multiprofissional 55% das professoras acreditam que o fisioterapeuta é o profissional mais importante no auxilio da inclusão no contexto escolar, 22% das professoras acreditam que o terapeuta ocupacional é o profissional mais indicado, 11% acredita no psicólogo e 11% afirma que todos esses profissionais são importantes para formar uma equipe multidisciplinar atuando com crianças com encefalopatia crônica da infância.

Melo e Ferreira12 realizaram um estudo com aplicação de entrevista semiestruturada para oito professores de uma escola publica de ensino infantil com objetivo de verificar o pensar dos professores de educação infantil sobre o cuidar das crianças com deficiência física na escola regular e como veem a importância do profissional de saúde, para sua melhor atuação junto a esses alunos. Esta pesquisa concluiu que a maioria dos professores reconhece a importância dos profissionais de saúde para facilitar o trabalho pedagógico, mas este grupo de professores também ressaltou que a relação professor/profissional de saúde é muito superficial muitas vezes por resistência do próprio profissional de saúde. 

No ultimo item as professoras foram questionadas sobre a atuação do fisioterapeuta dentro do ambiente escolar. 55% das entrevistadas acreditam que o fisioterapeuta deve atuar adaptando a postura do aluno, deixando-o mais funcional possível, 22% acreditam que a melhor forma de atuação é adaptando os móveis e 22% professoras optaram pela atuação do fisioterapeuta através de relatórios de orientação ao educador.

Pesquisas demonstram que a atuação do fisioterapeuta dentro da escola é ampla e pode ser executada de diversas maneiras, incluindo orientação ao professor na seleção e uso de equipamentos e mobília e na facilitação da postura durantes todas as atividades propostas. 13

Neto e Blascovi-Assis14 realizaram uma pesquisa com 16 professores de 14 escolas municipais regulares de educação infantil objetivando caracterizar as ações do fisioterapeuta em escolas regulares enfatizando brincadeiras que envolvam atividades motoras através de questionário quantitativo. Tais autores concluíram que é ineficiente o serviço de apoio a professores de escola regular no contexto de educação inclusiva e que é essencial e contribuição do fisioterapeuta nos momentos de brincadeiras que exigem atividades e habilidades motoras.

Tagliari, Três, Oliveira15 relatam que:

 

O Fisioterapeuta tem papel preponderante no ambiente escolar uma vez que poderá propor mudanças e inovações não somente externa como internamente, possibilitando melhores condições de acesso e permanência do portador de deficiência física proporcionando sua inclusão no ambiente escolar e assim melhorando a sua qualidade de vida.

 

 
CONCLUSÃO

 

            A criança com encefalopatia crônica da infância pode apresentar diversas limitações motoras e cognitivas como resultado de uma ou varias lesões neurológicas, assim quanto mais comprometido for o quadro funcional, mais difícil a inclusão desta criança em vários setores da sociedade, principalmente o setor escolar.

            As dificuldades encontradas pelos professores na inclusão dessas crianças são justificadas pela falta de conhecimento técnico do educador diante de uma condição clinica limitante e pela falta de profissionais de saúde que facilitem o processo de socialização e aprendizagem dentro da escola.

            Diante das respostas das professoras descritas neste estudo sobre questões inclusivas e de conhecimento sobre o trabalho multidisciplinar, conclui-se que o fisioterapeuta dentro de seu conhecimento especifico e funcional é um profissional de extrema importância para  facilitar a permanência de maneira efetiva e funcional da criança com encefalopatia crônica da infância, atuando nas adaptações do ambiente, nas posturas para determinadas atividades, facilitando o trabalho do professor com orientações especificas e otimizando a reabilitação em um contexto amplo e satisfatório.

 

REFERÊNCIAS

 

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11.  SILVEIRA, Flávia; NEVES, Marisa. Inclusão escolar de crianças com deficiência múltipla: concepções de pais e professores. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v.22, n.1, p. 79-88, 2006.

 

12.  MELO, Francisco; FERREIRA, Caline. O cuidar do aluno com deficiência física na educação infantil sob a ótica das professoras. Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v.15, n.1, p.121-140, 2009.

 

 

13.  DURCE, Karina; FERREIRA, Cláudia; PERREIRA, Priscila; SOUZA, Brenda. Atuação da fisioterapia na inclusão de crianças deficientes físicas em escolas regulares: uma revisão de literatura. O mundo da saúde, São Paulo, v.30, n.1, p. 156-150, 2006.

 

14.  NETO, Adriana; BLASCOVI-ASSIS, Silvana. Contribuições do fisioterapeuta na inclusão escolar de alunos com deficiência sob a perspectiva do brincar. Cadernos de Pós-Graduação em Distúrbios do Desenvolvimento, São Paulo, v.9, n.1, p.76-91, 2009.

 

15.  TAGLIARI, Carina; TRÊS, Francesca; OLIVEIRA, Sheila. Análise da acessibilidade dos portadores de deficiência física nas escolas da rede pública de Passo Fundo e o papel do fisioterapeuta no ambiente escolar. Revista neurociências, v.14, n.1, p.10-14, 2006.