sábado, 10 de setembro de 2011

Trilhos Anatômicos Miofasciais


Olá Pessoal. Este post abordará o incrível mundo da miofáscia. Particularmente falarei sobre o trabalho de Thomas Myers, que é uma referência em manipulação miofascial e autor do livro Trilhos Anatômicos Miofasciais. Desde que conheci este material na formação de RPG me apaixonei. Existe muita coerência e aplicabilidade em toda abordagem biomecânica escrita neste material. Bom, vamos ao post!

Esses Meridianos Miofasciais formam “linhas” pelo corpo por onde são distribuídas trações, tensões, fixações, compensações e a maioria dos movimentos do corpo. Ao todo são 12 linhas tensionais que se interconectam e dão sustentação biomecânica a todo corpo. Veremos neste post um pouco sobre a Linha Superficial Posterior.

Esteticamente, a compreensão dos esquemas dos Trilhos Anatômicos conduzirá a uma melhor percepção tridimensional da anatomia músculoesquelética e a uma avaliação dos padrões de compensação e distribuição de forças do corpo como um todo. Em termos clínicos, ele conduz a um entendimento diretamente aplicável de como problemas dolorosos em uma área do corpo podem estar ligados a uma região totalmente “silenciosa” e até certo ponto distante desse problema.


A Fáscia:
- O conceito músculo-osso apresentado na descrição anatômica usual resulta em um modelo puramente mecânico de movimento. Separa movimento em funções discretas, sem dar uma visão da perfeita integração vista em um corpo vivo. Quando uma parte se movimenta, o corpo responde como um todo. Funcionalmente, o único tecido ao qual se pode atribuir tal resposta, é o tecido conjuntivo.
- A fáscia forma o envoltório superficial do corpo e, através de suas ramificações (aponeuroses, bainhas, tendões, ligamentos, cápsula, periósteo, pleura, peritônio,...), penetra np plano profundo das estruturas até a membrana celular.
- O tratamento através de cadeias musculares é, na realidade, um trabalho das fáscias.
- Os músculos estão contidos dentro de bainhas interdependentes. O reequilíbrio das tensões passará pelo tratamento desses envoltórios. O músculo é apenas um “servente” ao serviço da organização geral, quer dizer, ao serviço das fáscias.

A. Dissecção de fibras de fibras musculares separadas, mostrando a fáscia ao redor e de revestimento (endomísio).
B. Dissecção da fáscia superficial do músculo peitoral maior (parte esternal). Observe como a perna do evidente “X” que cruza o esterno da parte superior direita para a inferior esquerda é mais prevalente que a outra, quase certamente como resultado de padrões de uso.
C e D. Secção da coxa, à esquerda com músculos e fáscia, e a direita uma visão de como o sistema fascial seria se fosse retirado sozinho do corpo como um todo.


A Leitura dos Meridianos Miofasciais:

Para trabalharmos um trilho anatômico devemos encontrar primeiro suas rotas (meridianos miofasciais) feitas de unidades de tecidos miofasciais ou conjuntivos.
Essas estruturas devem mostrar uma continuidade direta de fibras fasciais, a que chamamos de conexões “diretas”, ou estar indiretamente conectadas por meio de uma junção óssea interposta, a que chamamos de conexão “indireta”.
 - Uma conexão direta é puramente miofascial, enquanto que uma conexão mecânica passa pelo osso interposto.

As conexões musculares (“estações”) são vistas como locais onde algumas fibras subjacentes do epimísio ou tendão do músculo são emaranhados ou contínuos ao periósteo do osso acompanhante ou, mas mais raramente, à matriz de colágeno do próprio osso.

 Dicas:
1- Siga a granulação do tecido conjuntivo, mantendo uma direção relativamente estável, sem pular articulações ou níveis.

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2- Note as estações em que as rotas miofasciais se unem aos tecidos subjacentes.
3- Use a palpação como principal aliada e treine sua percepção para identificar as diferenças dos tecidos sob os dedos.





                 A Linha Superficial Posterior:

 

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 FUNÇÃO NO MOVIMENTO:
- No desenvolvimento humano, os músculos da LSP levantam a cabeça do bebê desde a flexão embrionária, com progressiva evolução, e alcançando os olhos e o reto do corpo, à medida que a criança alcança estabilidade em cada um dos estágios do desenvolvimento, levando-a a ficar em pé, mais ou menos um ano após o nascimento. Sendo assim, a principal função é a extensão e a hiperextensão.

FUNÇÃO POSTURAL:
- A principal função é dar apoio ao corpo em extensão completa. Tem como característica principal músculos como maior quantidade de fibras musculares de resistência e contração lenta, e faz suporte às articulações de carga do corpo humano como tornozelo, joelho, sacro-ilíaca e coluna vertebral.

ASPECTOS GERAIS:
- A LSP conecta toda a superfície posterior do corpo, da planta do pé ao topo da cabeça. Com os joelhos estendidos a LSP atua como uma linha contínua de miofáscia integrada.



Ok pessoal. No próximo post falarei da abordagem terapêutica sobre este meridiano.

Até o próximo post.

Referências:
- Myers, Thomas W. Trilhos Anatômicos Miofasciais: meridianos miofasciais para terapeutas manuais e do movimento. SP, Summus, 2003.
- Rolf, Ida. P. Rolfing. A integração das estruras humanas. São Paulo, Martins Fontes, 1990.
Up the Fisios!

4 comentários:

  1. Existe alguma diferença do conceito de Busquets para o conceito do Tom Meyers?

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  2. Muito interessante o assunto trilhos miofasciais, para nos que trabalhamos com movimento humano seja para promover a saúde ou para promover a performance. Abraços.

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  3. Gostei! Aguardo a próxima divulgação sobre as abordagens terapêuticas. Trabalho também com RPG e venho inserido esta abordagens dos trilhos miofasciais e está sendo surpreendente o resultado. Mona Lima.

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