segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O Desenvolvimento Motor Infantil - Parte 1

- Olá Pessoal, nesta post falarei um pouco sobre o desenvolvimento motor infantil. Espero que todos tenham tido um excelente fim de ano! 2012 chegou, então, só nos resta trabalhar, e sim, claro se divertir sempre que possível!


NEUROPEDIATRIA

INTRODUÇÃO

 

 

Conforme Neto (1) o organismo humano tem uma lógica biológica e organizada que inicia desde o momento da concepção, matura e evolui conforme a interação com o meio e a estimulação. Entre o nascimento e a idade adulta se produzem, no organismo humano, profundas modificações. As possibilidades motoras das crianças evoluem amplamente de acordo com sua idade e chegam a ser cada vez mais variadas, completas ou complexas. A área da Saúde da Criança também é foco de atenção do fisioterapeuta e, dentre as atividades pertencentes a este segmento, está a avaliação e o acompanhamento do desenvolvimento neuropsicomotor que é importante para determinar precocemente os diferentes problemas de desenvolvimento na infância. Quanto mais cedo uma dificuldade, limitação ou doença for percebida, maiores as chances para um retorno funcional nesta criança que, tendo as suas dificuldades atendidas por meio de tratamento adequado, terá melhor condição de participação na escola, na comunidade e consigo mesma, e, consequentemente, será um adulto melhor preparado para ter êxito e qualidade de vida. Conhecer como estão nossas crianças sempre é válido porque o mundo muda, assim como as formas de brincar. Estudar o desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) é fascinante, pois a cada dia e cada vez mais cedo as crianças adquirem novas habilidades. Seja pelo fato das crianças saírem cada vez mais cedo de casa, pois, passado o período da licença maternidade, as mães precisam voltar ao trabalho e muitas acabam optando por deixar os filhos em Escolas de Educação Infantil. Seja a influência dos meios eletroeletrônicos e também do estilo de vida moderno que proporciona às novas gerações uma tendência de aceleração do desenvolvimento para a idade, quando comparado com gerações anteriores. Seja pelo novo estilo de família, com menos filhos e pais mais dedicados, mais preocupados em estimulá-los, proporcionando-lhes um ambiente propício ao seu desenvolvimento. Avaliar os pré-escolares é particularmente relevante para o sistema educacional público, uma vez que, ao descrever o desempenho das crianças, avalia a aptidão da criança para o processo de alfabetização. Além de orientar a estimulação, quando necessária, para que o DNPM progrida de forma mais satisfatória.

DESENVOLVIMENTO MOTOR NORMAL


a) Segundo Roberta Shepherd
Prono
ü       4 meses: apoiado sobre os antebraços – a cabeça tem elevação a 90° e o tronco extensão perfeita.
ü       5 meses: é capaz de levantar a cabeça, ombros e pernas simultaneamente sobre a base de apoio, balançando-se para frente e para trás. Também tenta alcançar objetos nesta postura, além de desenvolver a capacidade de deslocar a massa corporal lateralmente.
ü       6 meses: apóia-se sobre uma das mãos para estender a outra à frente para pegar objeto.
ü       10 meses: em quatro apoios mantém o equilíbrio enquanto desloca o centro de gravidade para o lado.
ü       11 meses: capaz de adotar e de abandonar a posição quadrúpede.
Supino
ü       3 meses: mantém a cabeça firme e olha para a mãe que o puxa para sentar. Também nesta idade já consegue juntar as mãos na linha média.
ü       Durante os primeiros 4 meses: o controle da cabeça em posição mediana parece ser progressivamente favorecido pela visão.
ü       5 meses: com ajuda para sentar-se o bebê ativará os flexores do pescoço e do tronco em antecipação. Leva os pés a boca.
ü       6 meses: é capaz de levantar a cabeça espontaneamente.
ü       9 meses: levanta a cabeça e os ombros, antecipando a ajuda para se colocar em posição sentada.
Sentado
ü       6 meses: precisa se apoiar com as mãos à frente para sentar “sem ajuda”.
ü       7 meses: apoio lateral com uma das mãos na postura sentada. O equilíbrio nesta posição é suficiente desenvolvido para a criança poder virar a cabeça e a metade superior do tronco e olhar para trás.
ü       7-8 meses: locomove-se no plano sagital sem recorrer as mãos para se apoiar.
ü       11 meses: senta livremente sem usar as mãos para apoio.
De Pé
ü       8-10 meses: puxa-se para de pé segurando em móveis ou pessoas, porém para retornar a postura sentada só se largar o apoio e se deixando cair (não tem controle da atividade muscular excêntrica contra o peso corporal).
Marcha
ü       Marcha reflexa: até 3 meses.
ü       Com 5 meses muitos bebês passam por uma fase de inatividade locomotiva, durante a qual não se consegue desencadear a marcha.
ü       Marcha com apoio: 6-9 meses.
ü       Marcha independente: é observada dos 9 meses em diante.
ü       Com 13 meses: a criança já adquiriu equilíbrio suficiente para carregar um objeto e caminhar sobre uma superfície instável.
ü       Contato inicial apenas com o calcâneo: por volta dos 18 meses.
ü       Marcha com padrões próprios do adulto: em torno dos 5 anos.

Aquisições motoras mais elaboradas
ü       Saltar com os dois pés juntos: 2-3 anos; ficar apoiada sobre um pé só: a partir dos 4 anos;
ü       Dar saltos: 5 anos.

b) Segundo Bobath 
O recém-nascido em repouso mostra uma atitude bastante simétrica de flexão ou semiflexão do tronco e membros em todas as posições. Isto se deve a uma hipertonia fisiológica dos flexores do tronco e dos membros de distribuição relativamente simétrica. As mãos se movimentam livremente até a boca e o peito. O RN não tem o RTCA e sim uma atitude ocasional de RTCA e que desaparecerá por volta do 4º mês.
           
No desenvolvimento do mecanismo de retificação, o desenvolvimento do controle da gravidade na posição de prono precede o controle na posição supina.

Desenvolvimento em Prono:
Ø       Levanta a cabeça mais consistentemente a partir de 4 ou 5 semanas.
Ø       Extensão gradual do pescoço e da coluna (processo céfalo-caudal) – com cerca de 2 meses, o bebê é capaz de erguer bastante a cabeça na posição de prono e se apóia sobre os antebraços.
Ø       Com 3 meses desenvolve a “reação de colocação dos braços e mãos”: se o bebê for movimentado em suspensão horizontal, de forma que seus antebraços toquem a borda de uma mesa, ela levantará o braço e colocará a mão (palma virada para baixo) sobre sua superfície.
Ø       Controle de cabeça mais estável aos 5 meses. Também pode brincar com um objeto próximo a seu corpo, na posição de prono.
Ø       5/6 meses: as pernas são rodadas externamente, estendidas e abduzidas. O levantamento da cabeça na posição prona inicia um processo de extensão geral do tronco e dos membros contra a gravidade que começa céfalo-caudal, e alcança os quadris e joelhos em torno do 6º mês.
Se tentar ficar de quatro apoios, só poderá faze-lo fletindo a cabeça, e sua posição muda para a flexão geral do corpo. Neste estágio ele mostra, portanto um padrão extensor total primitivo contra a gravidade, quando em prono.
Consegue sustentar seu peso sobre os braços estendidos, resultando no desenvolvimento da reação de pára-quedas. Nesta posição, enquanto se apóia sobre os braços estendidos, ele consegue seguir um objeto de um lado para outro com a cabeça levantada.
Ø       Até cerca de 18 meses virará de prono antes de se levantar do chão, quando a posição inicial é supina.

Desenvolvimento da posição Supina para a Sentada:
Ø       3 meses: quando puxado para sentar a cabeça começará a mover para frente a cerca de 30-40° da horizontal.
Ø       4 meses: quando puxado para sentar haverá um leve atraso inicial da cabeça.
Ø       5 meses; o bebê estenderá a mão aberta para diante, tentando pegar objetos, e o agarrar tônico dos flexores da mão é substituído por uma verdadeira resposta do agarrar tátil. Também será capaz de brincar com a parte mais inferior de seu corpo, alcançando a parte inferior do abdômen.
O controle de cabeça e tronco está bem estabelecido. Quando puxado para sentar (mesmo com uma mão só), a cabeça irá imediatamente para frente e o bebê ajudará no sentar.
Ele senta com relativa liberdade, mas ainda confiando na reação de pára-quedas.
Puxado para sentar, a cabeça está com bom alinhamento com o tronco.
Ø       6 meses em diante: é necessária uma leve puxada inicial pelos braços para ajudá-lo a sentar-se.

Ø       7 meses: é capaz de se sentar, passando primeiro de supino para prono e depois senta.
O padrão de rotação total primitiva da reação cervical de retificação é agora modificado pelo aparecimento da reação corporal de retificação agindo sobre o corpo. O bebê então adquire a habilidade de girar no eixo do corpo, entre os ombros e a pélvis, e logo poderá virar de supino para prono e vice-versa.
Nesta idade 7/8 meses o equilíbrio na postura de prono está estabelecido, então, consegue transferir o peso para o braço estendido e girar o corpo para deixar um braço livre para estender no espaço. O bebê (com esta idade) começa a brincar com os pés e a explorá-los com a boca, quando em supino
Ø       8 meses: Termina a preensão plantar, engatinha sem flexionar a cabeça, atinge o clímax do Landau e os pontapés alternados param.
Ø       Por volta dos 10 meses, há bom equilíbrio na posição sentada em uma base larga; os braços ficam quase livres da necessidade de apoio e podem ser utilizados para manipulação. Na posição sentada, as reações de equilíbrio começam no momento em que o bebê já está se puxando para ficar de pé.
Ø       Enquanto as reações de retificação permanecerem ativas, a criança só conseguirá ficar de pé a partir da posição de prono, ou seja, de supino passa para prono que passa para de pé – até 2 anos ou mais. Esta rotação desaparecerá gradualmente e, a partir dos 4 ou 5 anos a criança ficará de pé na forma simétrica do adulto.

c) Segundo Darcy Ann Umphred
Os movimentos iniciais espontâneos do RN (recém-nascido) são chutes das pernas e balanços dos braços relativamente generalizados sob regulação subcortical. À medida que os movimentos mais refinados e específicos surgem por volta dos 4 meses de idade, a regulação cortical do movimento pode ser responsabilizada. A partir dessa idade, os movimentos voluntários dirigidos tornam-se mais freqüentes e precisos, e o equilíbrio e a postura melhoram rapidamente nos meses e anos subseqüentes. Assim, a precisão dos movimentos e o equilíbrio parecem estar associados com a maturação vestibular, cerebelar e cerebral.

É fácil ver na seqüência do desenvolvimento motor no bebê que tende a ocorrer de forma geral: próximo-distal (cabeça para mãos) e céfalo-caudal (cabeça para perna). À medida que os sistemas de postura e equilíbrio amadurecem, o bebê mantém um controle cada vez maior das habilidades motoras.
            Comparadas às habilidades básicas de locomoção, a manipulação precisa com as mãos tende a se desenvolver mais tarde e por um período de tempo relativamente mais longo. De acordo com Corbin, a coordenação olho-mão desenvolve-se em 4 (quatro) estágios seqüenciais que dura do nascimento até 40 semanas.
            Coordenação Olho-Mão: consiste em a criança observar um objeto, calcular/processar a distância entre o objeto e ela própria e executar o movimento com o MS (mão) para o alcance.

d) Segundo Patrícia A Downie – Cash
3 meses ou 12 semanas
v      Suspensão ventral: a cabeça é mantida “bem” acima da linha do corpo e o quadril e ombros se estendem. Esta postura pode dar informações sobre a deficiência motora: hipotonia marcante na futura coreatetose e ataxia; hipertonia marcante na futura espasticidade.
4 meses ou 14 a 16 semanas
v      Agarra objetos voluntariamente.
6 meses ou 24 semanas
v      Transfere um objeto de uma mão para a outra e consegue segurar um objeto em cada mão.
v      Controle de cabeça na postura sentada, havendo perda gradativa da curva lombar com 28 semanas (7 meses).
7 meses ou 28 semanas
v      Sentada pode tirar as mãos do apoio à frente por algum tempo.
7/ 8 meses (28 / 32 semanas)
v      Sentada sozinha, mas leva semanas até que o tronco se endireite com lordose lombar.
9 meses ou 36 semanas
v      Sai da postura de gatas estendendo os cotovelos (com apoio das mãos no chão) e estendendo os MMII (quadril, joelho e pés)
v      Senta mais adequadamente.
v      Engatinha com o tronco para frente e MMII por baixo.
v      Aponta com indicador e usa um movimento rudimentar de pinça inferior.
10 meses ou 40 semanas
v      Engatinha.
v      Pinça normal (40 / 45 semanas)
13 meses ou 52 semanas
v      Fica em pé sozinha.
v      Pode andar em urso antes de adquirir a marcha em postura ereta.
v      Anda com ajuda (sendo segura por uma das mãos).
v      Senta sem auxilio.
15 meses
v      Marcha independente.
18 meses (1 ano e 6 meses)
v      Podem subir escadas.
v      “Rastejam” de costas para descer escadas.
v      Com aperfeiçoamento do equilíbrio podem agachar para pegar um brinquedo.
24 meses (2 anos)
v      Corre com segurança e evita obstáculo.
v      Trepa em uma cadeira grande e desce.
v      Sobe / desce escadas, segurando-se no corrimão, com os dois pés ao mesmo tempo.



BIBLIOGRAFIA:
1. DOWNIE, Patrícia A . Neurologia para fisioterapeutas – CASH. Ed. Médica Panamericana, 1987.
2.  BOBATH, Karel. Uma Base Neurofisiológica para o tratamento da Paralisia Cerebral. Tradução: Ana Fátima R. Alves – São Paulo: Ed. Manole.
3.  SHEPHERD, Roberta B.. Fisioterapia em Pediatria. São Paulo: Santos Editora, 1995.
4.  UMPHRED, D. Ann. Fisioterapia Neurológica. São Paulo: Manole, 1994.
5. ARAÚJO, Leandro. Apostila do Curso de Estimulação Essencial. Rio de Janeiro, 2009.
6. ZILKE,Rosine; COSTA, Elenita Costa. Desenvolvimento neuropsicomotor de crianças de 2 a 5 anos que frequentam escolas de educação infantil. Fisioter Mov. 2009 jul/set;22(3):


- Valeu galera ! Up the Fisios!
 

Um comentário:

  1. Muito interessante de explicação valiosa para o processo pedagógico em que eu estou estudando, que é o curso de Educação Física.

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